sábado, 7 de junho de 2008

blackout

As melhores coisas da vida. Não sei se é ficar parado, sozinho em meu vegetativo silêncio ou se é fugir pra vida. Dar nome aos paralelepípedos da rua, virar o copo de vinho no maior acorde da música, fazer sangue ser derramado numa cama, usar gírias feias e fazer uma cara de smyle a meia-noite na rua. As piores coisas da vida. É não ser melhor amigo do tempo, é ver que pra você pessoas ficam e pra elas você se foi. É ser o que você grita não ser atrás do personagem modesto do dia-a-dia. É saber que todos sabem falar e ninguém escutar.
Essa é minha promessa de desabafo sendo cumprida. É que acho tudo pouco. É que fui mal criado e não me contento com nada do que possam me oferecer. Me revolto. Faço mal a mim mesmo e [acho que] ninguém mais. Hoje eu peço que falem, que digam. Ouço a reprovação de um tolo, já sei que um elogio soberano. [Obrigado Blake]. Posso dizer que sinto pena dos que me perdem, mas mentiria. Sinto pena de mim por não compartilhar da falsidade-civilizada que impera por trás dos sorrisos na mesa. Talvez trocaria o muito que tenho - e de que pouco uso - pra ser só mais um. Mas essa resposta seria a mais difícil e a única que eu não responderia caso me perguntassem. É que eu assumo meus erros, e o pior deles é achar que não erro. é achar que todos estão errados em relação a mim. Só que o resto do mundo é maioria [ por mais que quantidade seja diferente de qualidade /lixa]. E saber disso também não muda nada.
O que sei é que fui parar na escuridão. Sem luz no fim do túnel. Aprendi a usar o tato pra sobreviver. Mas é que ficam marcas, hematomas, feridas. Vou me abandonar lá dentro, quando uma porta for aberta - não reconhecerei o que de lá vai sair.
E agora me calo. É preciso saber a hora.

9 comentários:

Rα i sα ~ disse...

Eu não sei a hora.






Fui procurar por Nietzsche, esperava que ele me dissesse qualquer coisa sobre solidão, sobre sociedades e cavernas, como assim falava Zaratrusta. Encontrei tantas palavras. E tio Ninho foi me ensinando sobre pontes que só você pode construir e conhecer e atravessar. Sobre fortalecer-se com tudo aquilo que não te levar à morte. Sobre o abismo que surge em você sempre que olhas o outro abismo. Sobre o quanto de caos é necessário dentro de nós pra que criemos uma estrela. Sobre como, quando lá no alto, parecemos pequenos pra quem não sabe voar. E, por fim, sobre a diferença entre roubar solidão e estar presente.

Err ... podem parecer só palavras. Mas é tudo que eu queria te dizer sobre estações e trens.

Rα i sα ~ disse...

... qualquer dia, aprendo a ser - como dizer - menos prolixa.

Victor Moraes, disse...

Realmente não há como falar em caos e não lembrar de Nietzsche. E não, não foi prolixa. Colocou tantos ensinamentos em um parágrafo.
a plataforma dessa estação...

amanda lee jones disse...

meu samba não quer ver você tão triste,
meu samba vai curar a dor que existe ♪♥

Dan Souza disse...

Eu tb tenho tido que fazer tanta cara de smyle...

E quanto a escuridão...
Pode olhar bem que lá no fim, eu tô com uma vela esperando por você!

Bjo

Victor Moraes, disse...

*___*

bruna f. disse...

tão rápido e ao mesmo tempo tão lento. amigos se levantam e vão embora, saindo porta afora. o que sobre é o tempo: nosso melhor amigo

Victor Moraes, disse...

bruna, é verdade.
acho que tirei de seu comentário
o tema do meu próximo texto!
sempre inspiradora você! ^^

Rα i sα ~ disse...

... é a vida nesse meu lugar'