quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ar


Numa ânsia estranha e inquieta de por em palavras o que a pouco me furtou minutos e me pôs preso em celas de garoa e paredes de nuvens acinzentadas. Estava vagando por devaneios dos últimos dias. Minhas cenas mais pareciam videos de músicas antigas em reprises de fim-de-tarde de domingo em canais destes. Contabilizando minutos de mundo-da-lua para cada um – não consigo contabilizar agora – sorriso. Já me enrolei nessas novas tramas impulsionado por um novo gás e nada me falta de fora pra dentro. Os meus toques, meu papo e meu perdido jeito de levar dia após dia. Minha noite de lembranças, cupidos, siglas e sangue aparentemente fervente ao circular próximo do coração. Músculo mais pulsante: a lembrança. Há as vozes que ainda arrepiam-me e os sinais que me acordam tirando-me do sonho e colocando-me em outro, desta vez de olhos abertos. As minhas noites ganhas, os desabafos, o velho jogo da época dos quinze e, todos os demais joguetes do cotidiano embalado pelo velho sentimento que, por vezes, tira-me o ar e põe-me a pairar – agora me desprendo da realidade e me imagino levitando – por entre os corredores. Eu mau sei o que faço, mas tenho consciência que gosto. E quando assim faço o que gosto, o que creio, me sinto mais parecido comigo mesmo.

3 comentários:

Dan Souza disse...

Esses dias eu estava vagando por devaneios dos últimos anos.
Algumas coisas me fazem falta, outras não e algumas o presente compensa.rs

Te amo!

B; disse...

Eu sempre gosto do que você escreve aqui...

Tatiana F. disse...

Parei de ficar vagando nesse ar de passado. Acho que não adianta nada ficar lembrando, nada volta, nada muda.
A única coisa que posso fazer agora é modelar o presente para que a escultura seja perfeitamente a meu gosto no futuro.