terça-feira, 4 de novembro de 2008

LADO B



Lembro que antes das aulas iniciarem a turma do terceiro ano estava fechada e cheia. Não por acaso 20 e tantas pessoas insistiram e abriram uma nova turma ( Repito, não por acaso!). Não era pra acontecer, mas de certa forma nos encontramos e, passamos a dividir nossos dias com cúmplices doses de risos. No começo, era sacrifício. Olhávamos para os lados e víamos pessoas completamente diferentes; surgia a pergunta: ‘como será conviver com gente tão heterogenia durante tanto tempo?’ Acho mesmo que todos nós pensamos ser impossível uma passividade. Mas, timidamente, uma espécie de mistura começava a surgir.

Alguns estereótipos trazíamos de anos anteriores em que não convivíamos com aquelas pessoas. Foi realmente incrível ver essas coisas ruindo para podermos enxergar pessoas que acordavam e iam pra lá abertas a dividir os risos. O cansaço ao invés de tornar as coisas mais árduas acabou colocando todos na mesma situação de maneira a intensificar a convivência. Quando as ‘aulas à tarde’ eram realmente aulas à tarde, começamos a passar mais tempo com aquelas pessoas, que nem havíamos decorado todos os nomes, do que em casa. O espaço na sala começou a ficar pequeno, estava se formando uma espécie de família. Sim, uma família. Devagar, dedicou-se mais.

Nossa sala era a mais barulhenta, a mais brincalhona do colégio. Todos olhavam. Por sinal ainda é; ainda olham. Fomos os mais odiados da direção, os mais queridos dos professores e por mais opiniões e comparações que surgissem de fora nós sabíamos o que estávamos fazendo. Estávamos fazendo do nosso ultimo ano o que se espera de um terceiro ano de verdade. Integridade e diversão.

O grandioso trabalho do meio ano pôs em teste nossos limites. Aproximou mais ainda algumas pessoas, e provou pra todos que duvidaram do que somos capazes.

Mas um motivo mais forte nos faz sentar em cadeiras e olhar na mesma direção todos os dias: Fu-tu-ro. Vestibulares (sim, essa palavra tão pesada quanto xingamento) com resultados ruins, mas nem por isso menos proveitosos. Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que vida traz – já dizia uma música.

Foram 10 bem aproveitados meses. Mas agora, tudo pode passar diante de nossos olhos em segundos. É meio nostálgico termos dedicado tanto de nós durante tanto tempo e a partir de agora isso nos vai ser, drasticamente, tirado.

Toda uma lenda é criada em volta do termo ‘terceiro ano’. Mas não é por ser ultimo, e sim primeiro. O primeiro ano de uma nova etapa que agora vai durar pro resto de nossas vidas.

Falo por experiência própria que nem tudo é pra sempre. Apenas os laços mais fortes irão resistir ao todo poderoso Tempo. Outros se perderão, irão se tornar só cumprimentos.

Digo-lhes que quando estiverem por ventura sentados mais uma vez na sala, olhem para as pessoas ao redor e percebam que cada uma delas só está ali porque tem algo diferente para te deixar. Não sou eu quem diz isso. Charles Chaplin disse:

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e, leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

A partir de agora os destinos se afastam, alguns se mudam, outros mudam. Uns constituem família, e cada um irá seguir uma profissão. Já dá pra imaginar o que vamos sentir daqui a alguns anos quando encontrarmos alguns de nós, por acaso, na rua.

É, cheios de motivos, estamos indo de volta pra casa.

Voltamos com a bagagem muito mais pesada do que quando chegamos aqui. E não só de formulas e teorias que nossas malas se encheram. Voltamos com aprendizagens ainda mais úteis, como a de lidar com o ser humano e tudo que tiramos disso.

Pensem em quem éramos quando chegamos, e agora – prestes a sairmos.

É chato chegar a um objetivo num instante; não carregamos isso pintado em nossas costas a toa. Fomos essa metamorfose ambulante. Regadas a momentos que contaremos daqui pra frente para as novas pessoas, para os futuros reencontros, pra nossos filhos.

E essa plataforma de encontros e despedidas – já dizia Milton – é a vida!

Já citando o mestre, explico porque relembrar tudo: O que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir. Falo assim sem tristeza, falo por acreditar, que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer.



6 comentários:

Gabi Fiais disse...

Eu chorei e não sei o que dizer...
lindo, lindo, lindo. *-*

Tathinha disse...

Chorar eu não chorei até puq não fiz parte dessa sua família. Mas sei oq vc sente, foi q eu senti quando sai do Academico, e é foda ... meu V.Mo.

Só pra ressalvar: lindas palavras, sábios dizeres.

Dan Souza disse...

Sinto falta do terceiro ano, sinto falta do nosso terceiro ano!
Aliás, sinto mais falta dos nossos anos, quando estávamos todos juntos, quando não tinha brigas que nos afastassem, quando a gente tinha a gente e era o bastante!


Eu amo você!

Rα i sα ~ disse...

... eu me sinto meio terceiro b. de ousada, mas sinto.

Tathinha disse...

Ain Dan. Saudade mesmo é do segundo ano. Mas aprendo a cada dia que saudade nem vale e pena. Se foi, é puq já era pra ter ido. E se deixou marcas o suficiente seremos eternos. Sim, seremos eternos em nós mesmos.

Eu amo você e amo o Loiro lindo dos dois olhos azuis.

Kah disse...

Ohh que perfeito. Também sinto saudade do meu terceiro ano, não o fim dele, mas o inicio, onde todos eram iguais a todo mundo, onde a amizade era o que mais contava. No fim, tanta tristeza, desencontros, mal entendidos. O que de perfeito era, se tornou em ruína. Hoje são poucos os que se integraram novamente. Apenas lamento pelo que não deu certo. Que tudo seja feliz pra ti.

Um beijo grande.