Reza a reza. Sussurra Melodia no volume mais alto. E me enche de mais do mesmo que me trouxe até aqui. Eu, delituoso - e um tanto cara de pau -, finjo a síndrome de perfeição. Vou sempre certo, forjando. Caminhei, até agora a pouco, a questionar-me onde deixei abertura para diversidade de silêncios como estrondosas respostas. Não que eu tenha perguntado alguma coisa. Eu me troco pelo troco, me diluo feito pó de café barato em carreira de estudante. E quem há de pagar pela oferta tão procurada? E ofereço-me a prazo, com parcelas homeopáticas de romantismo, coberto de amor e juros - e nenhuma jura, vale dizer - da cabeça aos pés. E pra mais sincera falta de sinceridade, quanto paga? E a mais nítida falta de rima e extinção de poesia? De ontem em diante, mais afirmado. Novo velho. Aí, da minha mais farta falta de sentido às Segundas. Aí, de mim. De nós dois...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
03:10 AM
Pertuba-me a hora. algumas aves já acordam. e não era para me recolher em palavras. era estar profundo em algum sono e planos. Hora de estar além da hora. Ainda que desperto, pertuba-me o estar onde não era. Preocupa-me o que deixei. acomete-me o vago. E nesses, sobram o sempre os pensamentos sem doma que devaneiam sobre o pulso que devo criar, as frases que devo rescrever, a coragem de se re-ler. Vem, como um pulsar de brisa ao final dos choviscos de outono, a batida dos ponteiros. Vem lembrar-me dos passos ..passou da hora.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Respingos no guardanapo de ontem
Não sei dizer que escrevo porque preciso, tão pouco que sei sobre duradouras lamúrias. Não sei palavrear sobre o que impõe o comum e reforma o ontem em ficção para por olhos ao fim de um texto. Descrente que observa-se significa progresso ou rotina seja falta de algo e repele caos. Totalidade de anseios sem repousar as palmas das mãos sobre as próprias pernas ou deixar últimos goles. Não se tem o que refletir do que não seja possibilidade genérica de insônia. Tudo pra que não seja ponto final. Ponto.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Como um ponto G divino sobrenatural - Parte 2
… retomar a fala. Daqui vê-se que ainda andas de viés; que – por vezes – sente frio na nuca pós tesoura do desejo. Que se arma e enrijece à medida dos lastros da cama. Que caminha na volúpia. Libido quae sera tamen. E, no olhar para o lado, pergunta-se do que se pode extrair: o que poderá ser lembrança? Sei que só andas a contar o que era para qualificar. Que pensa nessa noite? Há de passar pelo vazio, de quando não estás com a mente ocupada, todas as questões pertinentes a amanhã. Quando amanhece o sorriso em face e anoitece língua em nuca – o que fazes ao meio-dia? Vejo-te no reflexo, numa plenitude de poucos planos e panos. Quando deixas de ser as palavras que envias na madrugada, é recordação que te resta – fora sono. Sei que agir contra a calma, resulta a surpresa. Como agir contra a incerteza, resulta num texto qualquer. Sei que toma forma à custa de orgulho. Toma fôlego à custa de toxico. E tendência, toma à custa de acordar. E quantos sabores e quereres tem para essa semana? Mais que a troca e destroca de pronomes. Tenta apagar em branco e fingir que não há quem te deixe no mais fulgás vermelho. Não pertencer, friccionando-se em qualquer 200 fios. Atenuando-se.
Mesmo propriamente dito sendo bem real, afinal
{...}
Glitter de principiante
Gloss de beijos de amantes '
terça-feira, 22 de março de 2011
Eu sou do tempo que a gente se telefonava
Você aí e eu aqui
meu mundo você nem sabe
De longe quero dar sorte
te fazer bem, te fazer rir
Já compreendi que o movimento faz a gente existir
e que o 'pra sempre' fica há um palmo do meu nariz.
Quero parar o tempo quando penso no que eu não fiz,
mas com você não fazer nada é tudo que eu sempre quis
{...} o mundo tá muito pequeno pra eu não insistir '
_______________
Blubell
Postado por
Victor Moraes,
domingo, 20 de março de 2011
Como um ponto G divino sobrenatural
O que bem faz aí? Anda com as palavras rodeadas de pontos de continuidade e pontos finais. Dá volta com o corpo em outros corpos. Abre a guarda e pões fios de nylon no coração. Por vezes, fecha-se e põe mais prazer no lugar do que havia de ser a próxima canção. O que vai deixar pra fazer amanhã? Vai adiar um encontro, [des]crente que outros tantos desse virão. Depois pôr a mesa e dar lugar. Percorrer esses ciclos; perder-se em rima, desafiar-se no sono, distrair-se com a chuva, contabilizar gotas de suor. Sei que talvez quisesse ser uma dessas. A percorrer pele, a ser um sinal de cansaço, brotar dos poros e nele debruçar-se e secar. Quanto tempo vai perder amanhã à noite? Vai parar de medir a lua – porque ela não está ali pra isso. Vai descrever o sexo pra acompanhar o cigarro. Querer ganhar o tempo de agora, para no futuro poder perdê-lo sem culpa. Vai, quem sabe, abandonar o texto...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Ensaio
Certo que não-certeza difere de incertezas. Ando repleto da primeira. Penso em não pensar no futuro blue, na canção do despertar de amanhã de manhã, tão pouco o 'bom-dia' ou a manchete do jornal que não vou comprar. Fico no apego de abstratos esquecimentos. Vai me dar mais para lembrar? Vou escutar canções bobas, fazer rimas bregas. Não, não vou. Creio que irei no que é errado, desgostoso, mata a fome e pode pertencer-me. Caminharei dual, duvidoso, seu – não! –, de quem quiser... tão pouco; que eu queira, seu – querendo mesmo – serei meu e da próxima canção.
terça-feira, 15 de março de 2011
Home, sweet home
Daqui os passos ecoam, como backing vocals de soul. O sorriso leve (leve, pousa) de canto de boca, rasga como sax. E a rotina de devanear por paredes e lares torna-se casa. Um canto confortável nos endereços que vão sendo distribuídos por aí. Não há o que se fazer entender do cotidiano. Por essência, é. Isso o basta.
sábado, 12 de março de 2011
Quanto ao pano dos confetes
A principio tomei a ver-te como um pouco mais do que a noite me parecia. Nos instantes seguintes era instantâneo. Era o transtorno obsessivo compulsivo de meus lábios, a lesão por esforço repetitivo de meus braços. Um permanecer sem esforço. Um descompasso de frevo, um ultimo gole na cerveja passageira dentro do copo ...À subir à cabeça e deixar ébrio e com a nostalgia de uma quarta-feira qualquer. A cena parecia mais entretenimento de divindades. Demonstração do que dali em diante iria faltar. Era mais do poderia ser.
Beautiful stranger,
I wanna loose my mind
Beautiful stranger,
in the depth of your eyes
{...}I remember
Em vias tracejadas
Meia duzia de peças de roupas, contas pagas, e porções gratuitas de 'bom-dia'. Tanto e tão pouco. O muito que não mata a sede. De boca seca caminhava na linha traçada do chão. Como quem da caminhada sedento à alguma miragem. E, sim. Os mapa acabam por levar à fonte. Límpida, azul e doce corredeira. Banhei-me às margens. Como quem acha que a sede foi morta, que suor pode ser doce e que fazer as coisas certas, recompensa. E caminho de ida nunca é tão igual ao de volta. As porções de água que trouxe o frescor que os mapas deixam escorrer entre os dedos. De nada adianta o muito. Sobram saudosismos e alguns remédios.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Coleção
Imerso na promessa de não alimentar com cores o que sempre me começou em branco e preto. De não gastar as canções da De La Riva, ou rimas do Jeneci. De ser assim, pouco sincero. Pelo menos, enquanto for pra ser. E de colecionar mais do mesmo. De chamar obrigação de pecado. Chamar pecado de lei. Trocar consolo e paixão. Pudor, preliminar. E fazer cena de cada desfecho. Foi meio Almodóvar, meio Fellini ...assim bem – clichê – música do lenine. Com doses menos saudosistas, astrológica e exageradamente. Com mais vertentes. Secamente pouco maleável. Esse histórico que se torna letras de post-it e fios de lã no dedo. E é muito do pouco que sobra. Um tanto do que ainda se tem. No olhar pro lado, pro presente, estimativas em cada célula que vou possuir até o fim dessa noite. Amanhã de manhã, estatísticas. Repleto da não-satisfação. Sorriso à face e lã ao dedo.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Mal sucedido
As velhas palavras cuspidas depois dos mais tolos desencontros – desta vez – não foram ensaiadas. Afinal, algo tinha que acontecer de forma diferente. Para dar, mesmo que ilusória, uma sensação de progresso com a aprendizagem das experiências (segundo Wilde esse é o nome que damos aos nossos erros) anteriores. Nas curtas linhas do tempo, quando intensas, já se pode prever o que se há de guardar numa caixa negra de recordações que serão postas à prova na reta final de sentimentos validados. E como uma dinastia dos fadados ao encontro de quem não poderá jamais interpretar teus pensamentos como desbravam curvas do seu corpo, o previsto tornou-se o certo. O velho clichê de valer a pena abdicar-se um pouco de si mesmo para compartilhar-se, parece-me cada vez mais empoeirado e tolo. As palavras acabam por dividir suas afiações em pé de igualdade com o silêncio da frieza mórbida. Nunca será uma questão de certo ou errado – e por mais que repita isso sei que será em vão. Caminha por entre essas duas a linha tênue da prática. Onde utiliza-se das palavras sussurradas em pé de ouvido ou recém deletadas da caixa de entrada para serem postas aonde as pupilas possam se dilatar e lacrimejar. Cada letra como uma celula, cada frase um pedaço, cada texto um corpo. Dizeres plenos: Se – e eu não acredito nisso – surgir em tua madrugada mais estrelada, alguém que possa te oferecer o mesmo olhar que te dava em quanto tu dormia e quando abrir os olhos encher as paredes de palavras, prove. pro. ve. Mostre pra alguém que você não é de nada.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Através do espelho
Pode ser quem você já é. Pode criar o que poderia ser. Jamais tornará diferente o que os outros já são.
E se antes - bem antes - um pedaço de maçã
...hoje eu quero a fruta inteira!
Postado por
Victor Moraes,
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Agora
Abri a garrafa para me embriagar da dose diária de ilusão. Consistente como um copo meio cheio. Liberto como um ébrio a escorrer por cantos de bocas. Outro e outros goles para manter-se afastado da ressaca - que é moral. Afim de não deixar lacunas para a mente devanear sobre as opacas realidades. Ocupado com o próximo riso e com calor que faz. Fincando os pés na certeza que não podem controla-los. Tratando de não ler os rótulos de todas as garrafas. De toda palavra que devo cuspir 'agora' é a primeira delas. De não ser suficiente vou embriagar-me dessas aventuras. Escrever biografia na pele e fazer juras que não vou cumprir. Vou afogar experiências banais e servir-te da mesma dose. É tudo que devo ser agora e até quando mudar de idéia.
Assinar:
Postagens (Atom)



