sábado, 24 de abril de 2010

Do emaranhado

Tento aqui descrever algo que nem eu mesmo sei do que se trata. Estou aí diante de um desafio e não dificuldade. Nessa ânsia por buscas dessas palavras espero assim concretizar um entendimento. Aqui não há escuridão diante de minha crescida coleção de constelações – e que os céus estejam cientes de minha gratidão. Não há também vazio em meus copos meio cheios. É algo preso na distração à cinzas no chão, na borda de selecionadas nuvens, na nota falha de alguma canção, na bubuia. Meu detalhe despercebido é todo esse que em mim percebem. Um abstrato redundante preso na realidade dotada de falta de razão. Um todo complexo em cadeia traçadas de preguiça e covardia de exploração; a minha cena despercebida; o que quis e consegui esquecer – daí a justificativa de tal esforço -; ou uma outra suposição qualquer que dê no mesmo de tentar descrever algo partindo do nada. De notar que as regras dizem que se algo é retirado de um lugar, nada fica e, assim, não explica ter ido à outro lugar o que não explica isso não ter deixado de existir e, não explica o ar e tudo mais que ficou no lugar eximindo a ideia de que o nada existe e que há um todo perdido no que eu queria me explicar. É, talvez. Muito pra mim é tão pouco. Compreendo satisfações. Entendo um pouco menos, e diferença alguma isso faz. Não há como entender-se sem desligar-se do todo cenário em volta. E não um desligar que justifique qualquer ego-querer. E que fique o não dito.

Um comentário:

Raquel Castro disse...

Adorei seu modo de escrever!

Estou seguindo!

beijos!