terça-feira, 13 de outubro de 2009

eco

Meu físico começa a espelhar o que se passa dentro de mim. Meu ar, pesado, mostra parte do meu ressentimento; dividindo narinas com o medo - escondido. Os olhos marcados pelo que tira o meu sono, pelos meus sonhos, minhas flores. Os dentes rangem pelo eco que dão às minhas palavras. Minha boca saliva pelas lembranças. Meu sangue pulsa mais rápido quando a mente passeia num futuro. As pernas balançam numa ansiedade por tudo que o ouvido tem pra escutar, mas que esta aprisionado num mistério e trancado pelo medo de ouvir.
As minhas palavras andam imponentes, as decisões - dizem seguras - como dedo indicador em riste. É que aquele olhar para baixo, depois que se vira pro outro lado da cama, tão comum pra alguns, como eu, andam escondidos. Mas não deixam de existir. De consumir. De pedir abrigo. Cabanas, braços.
E o sorriso é o mesmo, mesmo que vida diga não. E ela nem disse isso.

su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.
eco, eco...
ocupando de a poco el espacio
de mi abrazo hueco

Quem vai quebrar?

Escrito por Paulo Coelho

O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.

“Vou apresentar um problema”, disse o Grande Mestre. “E aquele que o resolver primeiro, será o novo Guardião do templo”.

Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo. “Eis o problema”, disse o Grande Mestre.

Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma?

Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta. Depois, caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão, destruíndo-o.

“Você é o novo Guardião”, disse o Grande Mestre para o aluno. Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou: “Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado”.

“Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado - mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto”, disse. “Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente”.

“Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo”.

sábado, 10 de outubro de 2009

Pela lei natural dos encontros

Isso tudo é apenas o modo diferente como vemos as coisas. Uma visão difícil de tudo que passa aos seus olhos. Não é que eu tenha terminado com todo aquele sentimento - mas incomoda quando diz que não os tenho. Há algo mais repleto em mim que ofusca sua cartilha e é ai que você - erro - reage. Não adianta me por em chamadas, em blêfes, suposições e retaliações. Não há espaço pra sua experiência em meus planos. Não mora em mim nem um terço de seu medo e seu credo. O que é real pra mim eu não posso tocar. Isso é essência e não se pode tirar. Serei ausência em sua roda, seu futuro e no, precocemente dito, amor. Algo que você provou não saber o que é, eu falo de liberdade. Falo sobre coisas que eu amo e que desse caminho não devo me retirar.


Don’t tell me that my masterplan
Ain't coming through
Don't tell me that I won't
I will

Don't tell me cause I know what's real
What I can do

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Outra maneira

Talvez um dia eu peça desculpas. Quem sabe eu deixe de errar. Mas se esses erros fazem parte de mim, se deixa-los, deixarei a mim? Um dia contarei uma história de vasos caros e rosas, mas, sinceramente, não vão entender. Acho que preciso fazer um corte. Daqueles que muitos fazem um dia. Se fosse como me porto nos bares e brigas por ai - tão tenaz - não faria textos de refúgios como esse. E quando eu não estou errado? Talvez eu não deveria dar sangue pelas minhas razões, mas que tipo de homem eu seria dessa maneira? Talvez o cansaço agora tenha invadido o modo como escrevo, derrubados algumas barreiras que crio. Fiquei assim. Ah, quem sabe, um dia, eu pare falar de mais de uma coisa em tudo que escrevo. Eu não sei. Talvez deva parar por aqui...
Ah, eu amo errar, baby!

sábado, 3 de outubro de 2009

180º

É como me disseram, certas coisas acontecem quase todos os dias. Outras, uma vez na vida. Assim eu não pude ver o Sol se pôr - mesmo sabendo que isso acontecia para onde meus olhos estavam direcionados. Uma coisa boa ao pé do ouvido. Mas um contrato assinado. A minha lista de desejos andava curta, mas repleta de duas ou 3 coisas. A noite caiu tão rápido quanto as nossas histórias de amor mais longas lembradas depois de um fim trágico. Meu jeans escapou sem manchas. A bebida agitava-se no copo. E ela parecia mais forte e intensa que das outras vezes. Mais brilhante. Mais vermelha. O álcool corria com mais combustão que paixões platônicas dessa que a gente, por vezes, confundi com amor. Um misto de maldade e inocência. Seco e suave. Sonho e últimas alternativas. A boca ganhava tons vermelho forte. Suor e pingos d'água. Espelhos. Fumaças. Um som diferent3. Um não-reconhecer do caminho que trilhou com tanta vontade. A maior de todas as satisfações gritadas ao pé deste ouvido. Como ter as coisas mais certas e não poder sentir-las em suas mãos nesta manhã.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lances

O barulho lá de baixo é no que me concentro. Tento desviar os meus pensamentos. Desviar do toque do celular. De tudo que deveria falar. De paixões de dez dias. De namoros de trinta. Lances obscenos e castos. Deveria me encarar nesse espelho de feito de 'vergonha na cara'. Me enxergar no refrão do jazz que cantarolei nos últimos tempos. Eu deveria me arrepender do 'sim' no 'apagar todas?'. Não posso me ver numa roupagem dos comuns. Não há de ser eu no retrato de quem responde à questionarios, de quem divulga seu querer como troféu, de quem suporta ir dormir com o fôlego perdido como de quem foge sem ter cometido crime algum.
Me vejo como peças montadas. Peças de problemas, de encrencas, de carência, de romance, de nostalgia ... Pouco proveito. Com ar pesado de quem por tudo passou. Com os olhos de quem não conhece nada na vida. Controverso. Apaixonado. Odiado e desmerecedor. Com os dedos a deslizar no ritmo daquelas velhas melodias. É viver sem se reconhecer na própria sombra. Com a laringe murmurando o ritmo. Não sou um cara bom. Até a boca abrir e cantar aquele refrão.
param pam pam pam pam ♪'

I've never looked for trouble
But I've never ran
I don't take no orders
From no kind of man

I'm only made out
Of flesh, blood and bone
param pam pam pam pam ♪'
I'm evil, evil, evil, as can be {...}

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Procure no mapa

Eu não estou aqui! Se procuram por mim não vão me achar escondido ou descrito em palavras. Não estou no que falo depois de umas doses de conhaque nem no que dizem minhas mensagens. O que faço não está em 140 caracteres nem no retrato mais comentado. Não estou em tudo digo, não sou o que ouço, nem o que me aplico. Não tem nada de mim nem nas repostas que me dão por aí. Eu me vejo numa soma de vários em relação a várias pessoas. Não vão catar todos os pedaços. Não vão aprisiona-los. Não há de ser limitado. Não procurem por mim nesse caminho.
{...}

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Categoricamente

Há manuais de instruções pendurados em meu pescoço. Há respostas e minhas fortes opiniões em minhas pausas, interstícios. Há do outro lado, um filtro repleto de deturpação. A velhinha cheia de razão que passa na calçada furiosa com o neto e diz 'as pessoas só ouvem o que querem ouvir'. Há nessas ruas importantes delimitações. Inúmeros avisos. E constantes invasões. Há escrito em minha pele tudo de mim e quem sou. Ainda que em letras garrafais eu ainda não conheço quem me conheça.
E tudo tem mesmo seu lado bom.

{...}a minha pele tem o fogo do juízo final ♪'

sábado, 19 de setembro de 2009

Coreograficamente

Imaginei que as gotas que caiam em queda d'água sobre mim não fossem feitas de duas ou três moléculas. Que o tecido que cobre o travesseiro não fosse morto. Que o som que ouvia não vinha só e só de minha mente. Que de real, entre esses dois mundos, só a luz da lua e o toque de uma mão. Sem vermelhidão à pele que sonhou e que agora acorda querendo que asas brotem de alguns poros. Só o atrito de lençol e lençol. Lençol e pele. E só o tempo - não asas - fará esse passeio à lugares onde possamos estar fora de controle. Me notei da cabeça aos pés como não me pertencendo. Objeto estranho não identificado. Pertencente total de um lugar desconhecido. Abrindo as cortinas para ter do escuro à resposta que asas só eu mesmo posso criar. E no flerte com a metáfora percebo a conta que imaginação pode tomar - ainda mais sendo da Lua a única luz. Eu estou em mim. Repleto. Porque de alguém aqui, só futuro. Abro a janela e fecho-me para o mundo. Por enquanto. A brisa traz o arrepio obsceno. A última parte que faltava. De vocês a ausência, mas eu estou aqui. Corpo e mente. Aperfeiçoadamente. Estou aprendendo sobre asas, sobre texturas mortas e como lidar com elas. Sobre espera. Sobre essa noite que não quero explicar. Aprender a não definir as coisas para que elas nos sejam ilimitadas. Feito o obsceno.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mudo.


Não há ninguém em mim. Arranhões na porta, vestígios de jeans nas cercas. Mas nada completo. Nada de tragédias inglesas e dramas banais. É uma dose mais forte. Lenta. É quando morre em mim o sonho compartilhado. É quando me calo. Vejo, ao olhar o espelho, que não tenho o que dizer só e simplesmente porque não há mais nada para falar. Surge como doença, não característica, uma aversão à repetição, repetição, repetição, repetição. Um breve pavor ao perceber os primeiros calafrios aonde morava o calor. Eu não mudei nos últimos quatro ou cinco portos que parei. Eu deixei avisos escritos à suor em pele morena. Deixei meu silêncio em resposta aos demais estribilhos. Não há nada que me faça errado, e não é disso que eu vivo.


...I'm only made out of flesh, blood and bone...♫ ♪

Eu não sei quem escreveu

"Já passamos muitas aflições, também jogamos 'tudo ou nada' e não foi bom. Já nos despedimos, mas depois só sentimos pena de nós dois. Que somos assim, já sabemos de cor, lamentamos muito por não ter realizado algo maior ou bem melhor {...} Eu, você - juntos na vida outra vez. Mas não dói, não. Só vim pra dar parabéns. Sim, parabéns pra nós, os passionais. Que, também como nós, se vão, voltam atrás. Que, assim como nós, não têm paz. Parabéns para nós, irracionais. Parabéns para nós, sem rivais. Parabéns para nós, parceiros infernais."
_________
j'adore

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

2

Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra


Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Feito outra oração de boêmios

Não estava lá quando lua dançou nas margens do vinho no copo. Não esteve quando o orgulho teve que superar a dor. Nem da vez que precisava dizer-te elogios. Os traiu. Fechou os olhos quando o Sol pedia companhias e até quando Ilê passou. Não estava lá quando pra dar suas exclamações em meio a tantas interrogações. Não pode estar quando havia lagrimas, e quando havia sangue. Tão pouco quando havia completa alegria. Copos e alguns brindes. Não podia me falar de rumos. Não pode aprender as letras das novas canções. Não esteve lá pra cumprir promessas. Não esteve presente nos novos planos. Não esteve em algumas das novas rodas. Não quis ouvir. Não estava lá pra dividir, ouvir e falar. Falar. Perdestes o significado de algumas - vitais - palavras. E se de ninguém é a culpa, só me restam essas palavras. Palavra do tipo ditas em mesa de bar. E que daqui não saia.

sábado, 22 de agosto de 2009

Som alto e café

Respirei fundo e decidi dar a mão a uma brincadeira do acaso. Agora estou aqui sentado, som alto e café. Plenamente realizado por ter achado sentido pra que levantasse daquela cama. Refletindo aos olhos a luz das últimas manhãs. Correndo a mão nessas palavras.
E desconhece do relógio o velho futuro.
O tempo escorre num piscar de olhos.
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros ♫'

O que tenho do futuro são só lembranças. Não traço seus riscos em cores. Não garanto pra mim a próxima manhã, muito menos a próxima colheita. Existe um amanhã só em verso ou em corpo. E, vejo que se tivéssemos certeza de como vai ser o futuro, o agora jamais não teria a mínima graça.

Bom é não saber o quanto a vida dura.
Ou se estarei aqui na primavera futura.
Posso brincar de eternidade agora.
Sem culpa nenhuma ♪'

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quinze minutos e tanto

Quinze minutos e tanto pra ouvir o que esperei pelo últimos dias. Pra voltar à cena, o vermelho, o som, até o sabor. Fico pensando em como quando corrigimos nossos atos. Esperamos, vamos àquele mundo só nosso, nos culpamos, e então, corrigimos. Fiz muito isso. Penso que temos que encurtar o espaço de tempo entre o ato e a correção. Tive medo de não dar tempo. Tive medo que minha cabeça desse fim a uma história. Se demorasse mais... Então, 'encurtar'. Pode não dar mais tempo. Deu vontade sair por aí, de meias, gritando 'pode não dar tempo, apressem-se!'. Já vi tantas vezes cair o último grão da ampulheta. Vi de todos os ângulos. Sim. Desfazer, falar, contar, perdoar, procurar, entender. Pensei em como iria viver daqui pra frente sem esses quinze minutos e tanto. Tanto. Apressem-se, pode não dar tempo!