quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Estranho

Não gostei do que vi nesse espelho hoje. Não falo de ter esquecido a benzoíla, ou coisa do tipo. Vi o retrato de alguém que, com todo senso que lhe fora obrigado a aprender, não gosta de perder o controle. De alguém que acorda com palavras de amor na cabeça, que dorme traindo a companhia mais fiel na cama - o travesseiro. A imagem que vi, de prazer, não me agrada. Não era pra ser assim. Mas é. Imerso nisso. Completo e constante. E em troca, a face na superfície mostra marcas. Marcas de não ser entendido. De não darem devido valor ao seu - automático - esforço. Do máximo que pode entregar não ser suficiente. De tolerar frases de almanaque. Mas vai passar. Não vai?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Feito oração de boêmios

Quando a tarde parecia fervilhar as costas num incomodo no sofá. Quando as falas mau dubladas do filme já tinham sido ouvidas. Quando reclamava do Sol. Da sede. Quando reclamava da vida. Quando se tinha o que fazer. Quando não havia nada pra fazer. Daquela vez que a vontade era só beber. Quando só tinha moedas. Quando não se tinha com o que gastar. Quando teve motivo pra comemorar. Até quando reclamava dizendo falsos os motivos pra chorar. Estava lá. Tudo no devido lugar. Feito amparo. Feito oração de boêmios. Teve a vez que era só pra dar risada. Teve aquela de não abrir a boca. E o dia da mentira, da cerveja, do fumo. Dia de briga até. E teve esse dia, agora, o dia que nem me lembro mais...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aminésia

Tinha planos pra escrever. Mas a música me fez esquecer. Tinha planos do que escrever, e acho que procurei algo pra que pudesse esquecer. Talvez eu não queira mesmo dizer. Quem sabe. Poderia arrumar metáforas ou usar palavras em codificações tão comuns por aqui, mas os entenderes são tantos a quem pertence e não. Mas a música tocou. Ela tocou.

Nem tudo que reluz corrompe
Nem tudo que é bonito aparenta
Nem tudo que é infalível se aguenta

Nem tudo que ilude mente
Nem tudo que é gostoso tá quente
Nem tudo que se encaixa é pra sempre

{...}

Nem tudo que acaba aqui
Deixa de ser infinito

/távazio


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Amarela

Os números no calendário foram riscados pelas ansiedades e marcados pela demora que tiveram em passar. Não falo de duas ou três semanas, mas sim, de 18 ou 19 anos. Tão bom conhecer os novos territórios, outros gostos e as pedras das ruas que andei e não prestei a minima atenção. Novos e animados personagens surgiram na sinopse de uma vida comum, consolidado num dia de brinde aos devaneios do Destino, em algumas músicas, algumas frases, em samba e amor até mais tarde.

Se não estou no paraíso, estou bem perto de chegar ♪'

De tudo que aprendi com os donos do bar [i said no, no, no], de todos os despertares lembrando-me do velho vicio de sonhar [é pra não ter recaída, que não me deixo esquecer], vi que, agora, só a sorte decidirá. E hoje, volto a morar nas lembranças, mas ela são outras, guardadas numa caixa diferentes das caixas da indiferença, essa está num lugar mais pulsante, cheia de ritmo e vermelho. Guardada com todos os meus sentidos, inclusive, os que só descobri agora [o sexto, sétimo, oitavo ...]. Bons ventos que sopram na varanda amarela. É isso que Paixão, Child!


Tu es ma came

A toi tous mes soupirs, mes poèmes
Pour toi toutes mes prières sous la lune
A toi ma disgrâce et ma fortune

{...} e não tenho a quem prestar satisfação '

domingo, 2 de agosto de 2009

É, me esqueci da luz da cozinha acesa

Um dia coloquei atrás da porta do quarto o desenho de uma caixa. Com dois, ou três furos. Absolutamente idêntica a aquarela do meu livro favorito. No livro, um carneiro dormia ali dentro. O dono do carneiro pedia pra enxergar as coisas com o coração. Que havia mais coisas no mundo do que números. Eu coloquei aquele desenho ali pra todo dia olhar e ver um carneiro dormindo através dele. E quando não visse mais, teria me tornado como todos os outros. Talvez tenha perdido a fé. E ali seja só o desenho de um caixa '
Meu ca em pó solúvel
Minha fé deu

Minha
em pó solúvel




domingo, 26 de julho de 2009

O segundo


Pego-me na necessidade de voltar a falar do tempo. Pra ser mais sincero no presente. Vejo que não é possível falar – ou até mesmo viver – este, sem que o passado e o futuro sejam, consciente ou inconsciemente, citados. A cada atitude do presente contabilizamos às suas consequências posteriores. E, parando pra olhar o passado, o presente é resultado do que contabilizamos no ontem. Então, saio da terceira e fria pessoa pra falar na primeira e sonhadora. O futuro me visitou hoje. Ele veio coberto de palavras bonitas nunca pronunciadas em idioma algum. O tipo de coisas que se diz em silêncio. E na sua outra face trouxe todos os anseios, medos, perspectivas e a grande possibilidade de um dia, novamente, eu - infelizmente - acordar. É como se essa visita fosse apenas um cenário, sem corpo ou almas humanas. O cenário é o grande palco deste sonho. Posso imaginar toda a plateia ou até mesmo quem estará debaixo do meu foco de iluminação. Sem saber se haverá comédia, romance ou tragédia. Desta última nos lembramos mais. Daí o medo de abrir os novos contos e a vontade racional de fechar à porta na cara do futuro que veio a visita.
Detesto esse meu lado racional. O oposto também me dá medo. Vi com este primeiro que de nada adianta voar sem saber pra onde. Mas com o segundo me sinto tentado a alçar o voo mesmo assim. É com o lado lógico persistindo no futuro que não se faz do presente algo completo. Mas estou repleto de você. Da cabeça aos pés.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sweet Dreams - Parte II

Forçar a mente pra que seus sonhos de infância voltem é uma tentativa vã de resgatar algo que você não é mais. A vida colore - as vezes mancha - a folha em branco que é você quando nasce. O mundo ao redor daquela criança muda mais do que ela mesma. As coisas parecem mais difíceis agora, mesmo que no fundo você saiba que são as mesmas. 'Criança, a vida é fácil' - diz a música. A frase não tem sentido algum se a sua primeira palavra for retirada. A sabedoria é algo que você perde, não adquire. Sábios são os que mantém os pensamentos que vieram consigo. Não os que colocam numa bagagem seus erros e acham só um nome pra bonito pra isso. Se oferecer a face pra vida dar porrada é sabedoria os grandes gênios seriam prostituídos, falidos, doentes, mendigos... espera, eles são!? Quando você desistir de procurar um motivo que te leve pra cama, e que, principalmente, te faça a levantar dela no outro dia, é algo que aparece quando cansamos de procurar. Tiros no escuro, medo de sofrimentos, coisas assim fazem até você sentir falta da época em que você ia se deitar descrente de bons sonhos. Mas o Destino - sim, letra maiúscula - brinca com sua cara. Te põe nariz de palhaço. Te faz brincar de ser feliz. E então, quando desiste, volta a sonhar. Doces sonhos. Dos que te absorvem. Não mais você os absorve. Seria uma comédia se nossa vida fosse o 'show de truman', um drama se fosse uma peça grega, mas na vida real são apenas doces ilusões passageiras. Seria mais sublime se dos sonhos que vivemos acordados pudéssemos despertar. São passageiros e, contraditoriamente, levam um pouco de nós e deixam um pouco si. Falar de nada adianta. Paro por aqui. Feche os olhos, sonhe com um sonho. Use-o até que ele use você. E então, se mova.
À noite sonhei contigo,
E não tava dormindo!
Justo ao contrário,
Estava bem desperto...
{...}
Quem dera me livrar
Pra sempre de mim mesmo!
E só me reencontrar
Lá no teu doce abismo ♪'

domingo, 12 de julho de 2009

Alguma cidade submersa


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
{...}

Futuros amantes, quiçá ♪
~
you know, i'm no good

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Subo o rio no contra-fluxo à margem da loucura

Os planos foram abandonados e deixei que eles me levassem - como faz o capitão de um navio naufragado. O aniversário, sem significados. Os amores, sem telefones. Parece que algum Deus parou o trabalho de traçar destinos pra tomar um café e esqueceu de continuar com certas linhas. Mas o som, ah, o som, esse nunca perde o embalo.


sábado, 4 de julho de 2009

Sweet dreams


Apertei as pálpebras e decidi sonhar. Não, não falo de dormir. Falo de concentrar no ar que respiro e tentar formular um sonho em minha mente. Era tão fácil construir esses castelos de ilusões antigamente. Agora o esforço pesa com punhados de realidade sob a missão. É como se as vontades fossem só vontades, sem elos pra formar um desejo. As imagens começam a surgir em branco e preto, formas soltas, verbos, desenhos, anos e anos. Nada pra dar a liga desses quereres. Não há nada em mim que forme um sonho. Sem tapetes voadores quanto mais lâmpadas e gênios. O superego pisoteia o ego e o id. Perco-me no som da respiração, e me pego na realidade. Recomeçar o exercício. Sonhar com um sonho. Tento não numerar ou listar o que me vem a cabeça como uma lista de super-mercado. É mais esforço. É como se o silêncio batesse na porta tentando quebrar a linha de raciocínio, propositalmente, nada lógico. E nessa tentativa falida o Sol nasce sem pra quê nem porque mais uma vez. E tantas vezes ele vai surgir pra nada se coisa algumaquiser de verdade. Alguém recoste minha cabeça num travesseiro de bobagens, daquelas que a gente não conta a ninguém e que pensa nelas antes de dormir. Elas se foram e levaram todos os motivos pra acordar amanhã.


Sweet dreams are made of these
Who am I to disagree?
{...}
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ecos

Me pego só e cheio de vontade de escrever. Medo da leitura que as palavras terão. Não só da leituras das outras pessoas, mas a minha própria. Como me repudio a cada vez que leio alguns dos textos antigos, principalmente os que nunca saíram de folhas de papel. Largando os vícios, procurando (sem sucesso) por novas virtudes. Desfalcado. Completamente sem inspiração ou sem as teias que antes seguravam pesos como o da rotina. Teias cheias de som e gestos. Agora só ecos que ao menos servem pra deixar esses dias menos frios. E toda manhã parece o inicio da jornada em busca de algo que pareça interessante. Sem querer arrancar a importância de todas as estrelas que possuo (Vide Capitulo XIII - Le Petit Prince) mesmo sem possui-las, mas tirando - sim - o interesse perdido pelo monstro-cotidiano.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Do frio


As gotas já escorrem pelo lado de dentro do vidro da janela. Do lado de lá a neblina passeia e esconde o que já estava chato de se ver todos os dias. O frio chegou. Sabia que mais cedo ou mais tarde ele chegaria. Tomaria visão, atrapalharia a respiração e depois iria embora. Mas ainda não foi. O frio traz a vontade de pele; junta as pessoas que procuram por calor humano. Eu vou me enrolar nesse manto e esperar pela próxima estação. Ou alguém pode vir até aqui e trazer cor, arte e calor.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Como queimar as cartas de amor


You've got 4&20 hours
Just one day to prove to me
That your love has got the power
To make me believe
Or take me where I wanna be
Tudo poderia virar cinza. Penso que é possível. Apagar, ou diminuir. Compactar. Queimar. Então, tudo pode virar cinza. Dechavar, enrolar, fumar e acabar. Antes, não há como pular o processo de fazer a cabeça. De ser teu o pensamento. De cantarolar mantras cada vez que lembrar dos viscerais olhares. Sofrer a cada vez que lembrar do abismo que habita entre o querer e poder. O tempo perdido. O futuro desfalcado. A vontade não morta. Antes de apagar tudo, como tantas vezes fazemos na vida, as coisas ainda perpetuam um tempo no pensamento. E, nele, ainda se pode haver outras combustões.

A paixão é como Deus / Que quando quer / Me toma todo o pensamento

Dirige os meus movimentos / Meu passo é teu / Meu pulso é desse todo poderoso sentimento

sábado, 13 de junho de 2009

A nova cor


Olho para esse tal horizonte cheio de cotidianos dentro de tantas paredes e possibilidades e, ainda sim, acho tudo pequeno. Acho mesmo que falta descobrirem um som ou, quem sabe, uma nova cor. Algo que deixe o futuro mais interessante. Claro que quero fazer parte disso. Mas, não sei se estou disposto a dar os primeiros passos mais. Não mais.
Daqui tudo parece mesquinho. Quase nada parece interessante. Sei o que riscar nessa folha em branco - só não sei como. Preguiça de descobrir ou de suportar as larvas para um dia ver as borboletas. Vontade de desfazer o sorriso temporário que vem cada vez que esqueço que tenho que acordar no outro dia. E a grandeza imposta parece um fardo. Quem quer carrega-lo!?
O vento vai pra sei-lá-onde. Traz alegrias e tristezas. Eu, como ele sopro pelas ruas e pelas janelas dos quartos. Passo!
Quero estar em dois ou três lugares agora. Não sei porque, mas algo me diz que nenhum deles é o certo. Já não posso dizer que faço que gosto. Não faço nem o que tenho que fazer. Só não sei e pronto. Ponto. Isso basta pra definir o que gasto tempo. Há tempos não falo assim, em 1ª pessoa.
Tem uma imensidão em minha frente e eu quero parar.
Já não sei o que faço e, de certa forma, gosto mesmo assim.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Caetanear o que há de bom!

Sem lirismos, poesias ou meias palavras. Show de Caetano Veloso na última sexta foi a perfeição. Ao chegar horas antes já tinha na cabeça que valeria a pena. Mau sabia que momentos como aquele faz você dizer 'valeu a pena viver até aqui'. Uma grande asa delta, um lindo céu no telão e um Deus no palco. O mito que enfrentou a ditadura usando as palavras como uma arma, o lendária criatura da música popular brasileira estava ali no palco. Respondendo meus apelos, sorrindo, acompanhando as músicas. A pele era de verdade, realmente existe. Tem veias e quem sabe até sangue. Tem mãe, santa, famosa e lá presente. Teve o gesto de carinho de me reconhecer. De me chamar de 'bonitinho, heim!?' outras 4 vezes, apertar minha mãe, abraçar e dizer que me viu 'agitando' o show na frente. Parou o carro, chamou pelo meu nome. E desenhou com os lábios a letra de 'Menino Deus' que cantei pra ele.
Pude agradece-lo por existir. Um Deus, um bicho, um homem.

Menino Deus, quando tua luz se acenda
a minha voz comporá tua lenda. ♪
(e ele sorriu)

p.s.: obrigado aos amigos que deram mais cor nesse céu. (hein Dani bonitinha de caê!?)
p.s.2: fotos, coloco depois.